“Charles James: Beyond Fashion” – Met Gala 2014

Mais um ano se passou e o concorrido AND exclusivo Baile do MET chegou. E, chegou com toda pompa e circunstância como pede o homenageado do evento.

Todo ano um grande estilista é tema do baile e recebe uma linda homenagem em forma de exposição, que acontece nos domínios do Metropolitan Museum de Nova Iorque.

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O grande escolhido foi o genial CHARLES JAMES, um dos couturier mais famosos do pós-guerra americano. Época esta marcada pelo glamour e pela opulência dos milionários (principalmente)  novaiorquinos.

Suas clientes não entravam simplesmente em seu ateliê na Madison Avenue é encomendavam um vestido, elas primeiro precisavam “ser escolhidas”, James se reservava no direito de fazer vestidos para quem quisesse.

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Seu trabalho feito sobre um único vestido, poderia levar anos, afinal de contas ao menor sinal de descontentamento ele mandava refazer tudo de novo. Apesar da sua clientela ser repleta de atrizes, socialites famosas, como Babe Paley, Millicent Rogers, Austine Hearst, Grace Kelly, seu temperamento difícil e seu perfeccionismo megalomaníaco, o fizeram cair em desgraça em meados de 1961.

Com dividas enormes a saudar, a falência era inevitável, o artista não conseguia equilibrar sua finanças com o seu ofício. Seus problemas financeiros e sociais, devido ao gênio forte, acabaram o levando para o limbo de onde ele nunca mais conseguiu sair.

Com a chegada de novos tempos e novos estilistas, Charles James acabou seus dias sozinho, pobre, morrendo de pneumonia em 1978 no bairro de Chelsea, onde viveu após a sua derrocada.

Seu legado que no passado tivera sido negligenciado por todos, hoje finalmente recebe a justa homenagem em um dia cheio de looks de baile, como tantos que ele um dia fizera em vida.

 Fotos: Reprodução

PUNK: Chaos to Couture

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Muito se falou à respeito do famoso Baile de Gala do MET essa semana, listas dos piores e dos melhores vestidos saíram aos montes nos blogs e sites especializados. Eu tenho o meu preferido, que foi de longe o vestido da minha queridinha a atriz Sarah Jessica Parker e seu adereço punk na cabeça.

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E tudo isso aconteceu para o lançamento de mais uma incrível exposição – PUNK: Chaos of Couture – que conta com 7 galerias repletas de informações sobre a cultura punk e sua influência na moda.

Punk teaser final

De tudo que eu li sobre a mostra, o que mais me chamou a atenção foi o enfoque entre o conceito de punk “do-it-yourself” e o conceito de alta costura “feito sob medida” – como mostra a foto acima do músico inglês Sid Vicious, ícone da cultura punk ao lado de outra foto em oposição, uma roupa de alta costura feita pelo estilista Karl Lagerfel, para a Maison Chanel.

Uma das galerias da exposição reservada ao “DO IT YOURSELF” ou “Faça você mesmo”, será representada de quatro formas diferentes:

DIY Hardware –  a alta costura com enfoque no uso de parafusos, pregos, correntes, zíperes, cadeados, alfinetes e lâminas de barbear.

DIY Bricolage – destaque para o impacto da personalização do “punk ethos” na moda, incluindo o uso de materiais reciclados do lixo e a cultura de consumo.

DIY Graffiti e Agitprop – explorando a tradição punk de provocação e confrontação através de imagens e texto.

DIY Destruir – examinando o efeito “punk’s rip-it-to-shreds spirit”, através das vestes rasgadas e desfiadas associadas ao desconstrucionismo.

Dentre todas as personalidades punks, uma das mais marcantes é sem dúvida Vivienne Westwood, que em sociedade com seu marido/empresário Malcolm McClaren, abriram a butique Seditionaries em Londres nos anos de 1970, sendo uma das primeiras a comercializar a moda punk. Seu lema em relação a moda frente a sociedade era “The best way to confront British society was to be as obscene as possible.” 

O que ontem foi totalmente contra o establishment apregoado pelo movimento punk, hoje é referência de uma moda glamourosa, vide o vestido da personagem de SJP no filme “Sex And The City”.

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O punk pode ser definido como uma ideologia de contestação, feita de forma marginal nas mais diversas formas de expressão, entre elas a música. Só para citar alguns exemplos, temos de um lado do oceano os Ramones nos USA, já do outro os Sex Pixtol, na Inglaterra – particularmente, sou fã do primeiro.

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Diante de tantas influências do movimento, podemos afirmar que a estética definitivamente foi incorporada pelos estilistas e pela moda não somente a de protesto, e sim, muitas vezes pela alta-costura, onde passou a ser referência de estilo (independente do preço), afinal hoje em dia somos todos os verdadeiros punks de butique.

Quem não se lembra do ícônico vestido de Elizabeth Hurlem, feito pelo estilista Gianni Versace em 1994?! ou do visual sensual da vocalista do Blondie, Debbie Harry?!

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Personagens de um tempo expostos em mais uma grande exposição, transformados pela moda do passado e de hoje. Se passar por Nova Iorque, obviamente não deixe de ir e de levar pra casa um livro da mostra, geralmente eles são PUNK!!

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Fotos: Reprodução