Minha primeira vez

Não, não vou falar da minha primeira transa, vou falar da minha primeira viagem para a Europa, tempo em que eu ainda nem sabia o significado da palavra alemã: wanderlust. Bom, pra começar eu apenas tenho os registros dessa viagem em álbuns de fotografia (muito provavelmente mofados), nada de celulares ou rede sociais. Dá pra imaginar hoje em dia, viajar e não postar uma foto no Instagram?! pois é, eu sou dessa época colega.

Vamos para a narrativa da viagem. Eu e minha amiga Gabriela, embarcamos para o que seria nossa primeira viagem pelo continente Europeu, começaríamos por Barcelona, depois França e acabaríamos em Londres com nossos amigos do teatro, sim eu fazia teatro, nós fazíamos. Tudo estava perfeito, me despedi do meu bebê (Pedro na época tinha 1 ano e 5 meses) e do meu marido (Beto), segui para o aeroporto, encontrei a Gabi e embarcamos, ou pelo menos entramos no avião.

Depois de duas horas dentro do mesmo, fomos informadas que o voo havia sido cancelado. Catzo, tive que voltar pra casa e no dia seguinte me despedir novamente – o que significava, chorar mais um pouquinho. No dia seguinte, finalmente o avião decolou e foi direto para a nossa conexão em Londres. Como estávamos um dia atrasadas, todas as outras conexões que faríamos também atrasaram. Saldo: 6 horas no aeroporto de Heathrow. Passeamos, conversamos, comemos MUITO, tentamos dormir, enfim fizemos o que estava ao nosso alcance naquele lugar, até a hora em que soou o alarme de bomba e com isso, precisamos sair correndo para outra ala do aeroporto. Sim, isso realmente aconteceu.

Alarme falso, nada de bomba, voltamos pro nosso canto. Finalmente, embarcamos para Barcelona (nosso destino). Na chegada, aquela recepção super calorosa dos espanhóis, não é mesmo?! #SQN. Na alfândega nos perguntaram aonde estavam as nossas mães?! imaginem esta cena ” Dónde está tu madre?!”. Eu, com 25 anos, casada, um filho pequeno + Gabi, com seus 22 anos, namorando sério e, eles só queriam saber aonde estavam as nossas mães. Com um sorriso, dissemos que não precisávamos de mães, afinal já tínhamos idade suficiente para viajarmos sozinhas. Nosso pesadelo, só estava começando.

Enrolaram a gente um monte de tempo, até nos liberarem. Quando chegamos na esteira para pegar as nossas malas, dois policiais nos abordaram e pediram para abrir as mesmas, começaram a mexer em tudo, até decidirem que precisavam tirar um raio-x (básico) da barriga da Gabi. Sim, isso realmente aconteceu. Imediatamente, eu me opus e perguntei o porquê daquilo tudo?! preciso dizer que, até aquele momento, a Gabi ainda não havia intendido o que eles queriam fazer com a barriga dela. Conclusão: acho que eles ficaram com medo da minha cara feia, porque resolveram nos liberar de vez ou ficaram com pena de duas meninas sem as suas mães (contem ironia). O fato é que nos deixaram em paz.

Muito nervosas, entramos num taxi e pedimos para nos levar para o nosso hotel, ele ficava literalmente no dentro do Bairro Gótico. No caminho, o cretino do taxista passou a nos amedrontar, falando que aquele hotel era muito perigoso, eu já estava quase tendo um ataque do coração, longe do meu bebê e passando todo tipo de apuros, quase dei meia volta e embarquei de volta pro Brasil. Decidimos diante da ameaça eminente de mais esse perigo, mudarmos para outro hotel. Obviamente, indicado pelo próprio taxista. Santa ingenuidade. Chegando no “novo” hotel, acho que tivemos um sopro de inteligência emocional e percebemos a jogada dele. Sim, isso realmente aconteceu. Demos meia volta e voltamos pro nosso hotel de origem.

Ah claro, devo dizer que fomos enganadas por esse mesmo taxista, na hora em que pagamos a corrida de taxi. Enfim, chegamos finalmente no hotel. Primeira pergunta do recepcionista “Cuarto com baño ou sem baño?!“, naquela altura do campeonato, vocês podem imaginar uma pergunta desse tipo?! quase me joguei pela janela. “Bañooooo, mi señorrrr!!!”. Entramos no quarto, nos jogamos na cama, eu peguei minhas fotos de casa e comecei a chorar. A Gabi até que se apiedou desse meu sofrimento, mas nos dias seguintes ela nem ligava mais, eu chorava de saudades todos os dias durante a noite, antes de dormir. Sim, isso realmente aconteceu.

Mas para não dizer que tudo foi horrível – porque não foi – nós nos apaixonamos pela cidade. No dia seguinte, saímos com nosso livro do Guia da Folha de Barcelona (sim, era assim que os turistas de antigamente viajavam), fomos conhecer tudo que estava ao alcance dos nossos pés (andamos pra caramba). Passeamos muito, nos divertimos de monte e, quem diria que essa mesma cidade, no futuro seria tão importante pra mim hoje em dia, afinal foi ela que minha irmã Mariana foi morar há sete anos atrás. Coincidências da vida, hein?!. A próxima cidade da nossa lista era Paris. Tudo certo, quer dizer quase, não tivemos problemas com policiais e muito menos com taxistas, mas a Gabi foi roubada. Levaram todo dinheiro escondido dentro da mala dela (não, não tinha cofre no nosso quarto do hotel). Naquela época, viajávamos com dinheiro vivo, nada de cartão de crédito. Sim, isso realmente aconteceu. Conclusão, precisei pagar tudo pra Gabi.

Finalmente Londres, última cidade da viagem. Atravessamos o Canal da Mancha (de trem)- Paris/Londres. Na Chegada, a temida alfândega londrina nos aguardava, Eu e a Gabi começamos a rezar pra que nada acontecesse dessa vez e que, não pedissem pra gente chamar as nossas mães. Guichê, muita simpatia, algumas poucas perguntas e passamos. Ehhhhhhh, mas a alegria durou pouco. Assim, que passamos do guichê e seguimos por um corredor, um policial veio até nós e começou a fazer mais perguntas. Juro, parecia pegadinha. Eu não acreditei quando aquele policial discretamente colou na gente. Respondemos as novas perguntas, mostramos nossas passagens de volta, só faltou ter que mostrar as malas, mas dessa vez não precisou. Ufffa, que sorte.

Passado mais esse momento de constrangimento, fomos ligar para a Camila, sim iríamos ficar na casa da nossa amiga do teatro, que estava morando lá. Mas simplicidade não era o nosso nome. Simplesmente não achávamos a Camila, ela tinha evaporado do mapa. Nosso dinheiro estava acabando, já que eu precisei emprestar para a Gabi, não tínhamos hotel reservado e estávamos por conta dela. Antes de eu cair no choro, lembramos que outra amiga nossa (também) do teatro morava em Londres, vejam só vocês que coincidência. Ligamos e fomos parar no quartinho em que ela morava com o namorado. Mal cabia as nossas malas, mas era provisório, só até achar a Camila. Rodamos o dia todo, enquanto não tínhamos outra opção. Quando finalmente conseguimos achar a Camila, pegamos um taxi e fomos imediatamente pra sua casa. Não, ela não estava em casa naquele momento, havia deixado a chave e saído para uma festa. Eu e a Gabi, nessa hora tivemos um ataque de choro. Sim, isso realmente aconteceu.

No dia seguinte, finalmente saímos pra passear tranquilas. Devo dizer que, a casa da Cami ficava na PQP. Última zona do metro e ainda por cima, precisava primeiro pegar ônibus pra chegar na estação. Eu que já estava morrendo de saudades de casa, afinal essa era a terceira semana longe, não aguentei ficar mais, remarquei minha passagem e voltei uma semana antes do previsto, mas sem antes é claro, aproveitar muito a semana com a Gabi, Cami e o Erich – amigo do teatro, que também morava em Londres. Sim, isso realmente aconteceu.

Essa foi a minha primeira (e inesquecível) viagem à Europa. Depois dela, eu fui picada pelo mosquito dos viajantes inveterados. Nunca mais parei de viajar. E, espero nunca mais parar. Óbvio, esses perrengues fizeram parte da nossa inexperiência e hoje, são motivo de muitas risadas cada vez que nos encontramos. O saldo final – de nós 4 – foi: o Erick nunca mais voltou para o Brasil, hoje ele é morador da gélida e longínqua Finlândia. Nossos encontros ainda que raros, são repletos de muito carinho e amor. Ele continua fazendo teatro, virou diretor. Já a Gabi virou contadora de historias infantis, sua trupe composta de duas pessoas se chama “Abigail Conta Mais de Mil”, Cami enveredou pela moda, virou editora. Eu, virei esta blogueira que vos fala. Todas morando em São Paulo, casadas e com seus filhos.


Considerações Finais

**Conseguimos dinheiro para a Gabi em Londres (com um amigo do padastro dela), mas precisamos primeiro ir numa cidadezinha próxima buscar.

**A outra amiga do teatro é a Perego, mora até hoje em Londres.

**Wanderlust (do alemão wandern: ‘caminhar’, ‘vagar’ + Lust : ‘desejo’; em português, “desejo de viajar”) é um termo que descreve um forte desejo de viajar, de explorar o mundo, de ir a qualquer lugar, em uma caminhada que possa levar ao desconhecido, a algo novo. Não se trata de simples vontade, mas um desejo incontrolável de ir, de seguir rumo ao desconhecido, em qualquer direção, ou a algum lugar onde se possa encontrar algo novo.

Dinard – Paris

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Quando a gente vai fazer aniversário nunca consegue imaginar aonde vai estar, ou pelo menos sabe que estará no mínimo na nossa casa.

Dessa vez, no meu grande dia (eu ADORO fazer aniversário), eu fui parar em uma cidadezinha a uns 400 km de Paris, chamada DINARD – tudo por conta da minha vontade de conhecer o Monte Saint-Michel.

Passei dois dias por lá, a cidade é uma graça e, é um ótimo lugar pra pousar – já que eu não ficaria hospedada no próprio Monte, achei meio “claustrofóbico” passar a noite por lá.

E pra provar que a minha escolha foi acertada, eu tirei várias fotos do lugar. Confiram.

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“Dinard é uma comuna francesa na região administrativa da Bretanha, no departamento Ille-et-Vilaine. Estende-se por uma área de 7,84 km². Em 2012 a comuna tinha 10 579 habitantes. 265 hab/km².”

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Dizem que Alfred Hitchcock visitou Dinard e escolheu uma casa para filmar o seu mais famoso filme Psicose – ela ficava em uma vila sobre a Plage de l’Écluse, porém nenhuma evidência foi confirmada.

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Agora, Luciana em DINARD para o seu aniversário.

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Fotos: DQZ

 

Os Jardins de Paris e mais um pouquinho

Dá pra imaginar passear por Paris, sem gastar um euro se quer?! Dá sim, eu vou te contar sobre dois passeios, que só faz gastar sola de sapato.

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O que não falta em Paris são parques, eles seguem quase sempre um estilo formal e simétrico, onde nada pode ficar fora do lugar, inclusive a própria natureza.

O primeiro parque fica situado na margem direita do Rio Sena, entre a Praça da Concórdia e o Carrosel – o famoso Parque das Tulherias.

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Agora vamos para o maior parque público da cidade de Paris, com mais de 224 mil m² – Jardim de Luxemburgo – que hoje é a sede do Senado.

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Esse sem dúvida se tornou o meu jardim preferido, as flores lindíssimas, são cuidadosamente preparadas para as 3 estações: primavera, verão e outono, nas estufas do Luxemburgo.

* Quem quiser saber a fundo a história do Jardim, é só clicar AQUI nesse post incrível da Renata do blog Direto de Paris.

Então, como eu havia dito, você pode fazer esses dois passeios, sem gastar dinheiro para as entradas = LIVRE.

Isso sem contar também, com a ponte ALEXANDRE III – uma das mais lindas pontes de Paris, construída em 1896 a 1900, ela atravessa o rio Sena.

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Outro passeio que vale uma visita, é a loja da HERMÈS que fica em Saint-Germain-des-Prés, obviamente não para comprar os produtos (dos artigos de luxo, eles são um dos mais caros), mas sim pela arquitetura.

São 3 andares de loja, no último onde hoje se encontra a linha Hermès Home, ficava a antiga piscina do Hotel Lutetia, que foi completamente preservado, você pode observar todos aqueles mosaicos de 1935.

Os 2.500m2 de loja, hoje abriga uma espécie de galeria de arte da Hermès

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Fotos: DQZ