Ódio e amor pela minha ginástica

Eu nunca fui uma apaixonada pelos esportes. Fato. Eu bem que tentei entrar pro time de vôlei da escola, mas o que eu consegui foi apenas ficar no banco de reservas, confesso eu era muito ruim, não tinha força nos braços para os saques, quem diria para as recepções, o resultado eram braços super vermelhos de tanta pancada.

A aula de educação física era uma sofrência só, pensa numa pessoa que entrava na quadra contando os minutos pra aula terminar?! Eu, sempre, tinha horror dos polichinelos, ódio mortal das corridas em volta da quadra, detestava os abdominais (inclusive até hoje) afinal, tem coisas que não mudam jamais. Eu achava tudo muito chato pro meu gosto juvenil.

Sempre preferi a dança aos esportes. Tanto é que me deram o apelido de “Flashinha” na escola, eu dançava nas aulas de educação física (sempre que o professor virava as costas). Ok! Quem não entendeu o apelido, ele remete a década de 80, quando o filme Flash Dance fez o maior sucesso. Dê aquela googada básica pra saber do que se trata.

Enfim, quando eu me livrei das aulas de ginástica do colégio, olhem a ironia do destino, resolvi eu entrar na academia por livre e espontânea vontade . Isso mesmo que vocês leram, na academia. Sabe aquela fase, onde todo mundo começou a frequentar academias e existia uma aula de aeróbico, onde a galera fazia um tipo de coreografia toda sincronizada?! eu entrei nessa vibe, queria virar “rata de academia”, usar biquíni asa delta e arrasar na praia. Foi esse o motivo que me levou à academia. Pura vaidade e falta de personalidade.

Meu plano seria perfeito se eu fosse “aquela esportista”, que eu nunca fui. Em um ano pagando todo santo mês a mensalidade, eu devo ter ido umas 5 vezes no máximo. Minha vontade de ser “rata”, esbarrava na minha preguiça diária  de ir treinar. Cada dia eu inventava uma desculpa mentalmente, para não ir. Sendo assim, não foi dessa vez que eu virei uma “rata de academia”, toda sarada. E quer saber de uma coisa?! realmente na época eu não me importava, mas isso não significava que eu vivia em paz com o meu corpo. Sempre tinha um defeito pra eu olhar.

Os anos foram passando e eu tive dois filhos. Aí não teve mais jeito, chegou a hora, nada de querer virar “rata de academia”, simplesmente era necessidade em voltar ao peso e a forma de antes. Aliás, preciso atualizar os termos da área das academias, agora o termo é virar fitness. Na academia, dessa vez eu fui me endireitando, comecei a me forçar a ter uma rotina de exercícios e, olha que eu consegui frequentar com regularidade a academia, viu?!

Ela passou a fazer parte do meu dia a dia. Eu me tornei uma aluna assídua, com isso eu comecei a ver as mudanças no meu corpo, Fiquei animadinha e passei numa nutricionista, mas na real, lá no fundo, eu nunca estava  100% satisfeita. E, desconfio que essa insatisfação é quase geral, não existe mulher que consiga ficar feliz – incondicionalmente – com o próprio corpo, a gente sempre quer mais.

Eu comprovo o que digo, quando vejo as fotos de antigamente, elas fazem a gente se questionar com perguntas do tipo “Nossa, olha como eu era magrinha, meu corpo era tão bom e eu não me dava conta”. É sempre assim, o nosso padrão de perfeição é muito alto, ele sempre nos leva a frustração eterna. A regra é essa, quando a coisa está boa, a gente não consegue se reconhecer nela. Mas quando a coisa está ruim, a gente aponta o dedo na ferida e não para nunca mais de sofrer.

Uma vez me elogiaram na academia, fiquei muito sem graça e apesar de ter recebido um elogio maravilhoso sobre meu corpo, afinal eu estava lá pra isso, em busca do tão sonhado estilo “fitness” de ser, no fundo eu não acreditei no elogio. Impressionante como a parte emocional do nosso cérebro, insiste em sentir o contrário da realidade. Você sabe que está bem, mas sente que não esta. A pressão entre as mulheres é grande, corpos esbeltos são mostrados nas mídias e, na minha cabeça seria muita pretensão eu achar que poderia alcançar esse corpo. Sempre desconfiei de mim.

Hoje, sou uma mulher na casa dos 40 anos, já engordei, já emagreci, já entrei na menopausa precoce, já quis fazer plástica na barriga, já pensei em milhares de soluções pro meu “problema”, mas no fundo nada disso tem a ver com o corpo, e sim, com a autoestima. Foi só quando eu me dei conta desse GRANDE detalhe é, que ficou mais simples a minha relação com o meu corpo. Isso não quer dizer que eu não estou nem aí, mas sim que, agora eu me permito relaxar,  me permito ser imperfeita, não ligo para os padrões que me escravizam. Se eu não consigo ir na ginástica (como hoje), não fico me cobrando ou me torturando psicologicamente. Não deu, não quis, seja lá qual foi o motivo, meu corpo não vai desabar por isso. Óbvio, eu mantenho uma frequência, controlo na medida do possível minha alimentação, passo na endocrinologista, faço tratamentos estéticos, mas não exijo mais “aquela” perfeição de antes, que era impossível de alcançar.

O fato de odiar esportes e academias no passado, sempre foi motivo de cobrança interior. Porque eu não gosto de fazer ginástica?! porque fulana gosta?! quando vai chegar o momento em que, eu vou treinar 2 horas por dia, além de treinar nos fins de semana, comer frango com batata doce e adquirir uma barriga sarada, cheia de gominhos?! Eu mesma respondo, nunca, never. Não me interessa essa vida, eu não gosto. Fato. Por isso, eu não posso me cobrar ter um corpo perfeito, um corpo que precisa de dedicação  full time, um corpo que tiraria de mim, muito da minha alegria de viver. Isso é irreal

É verdade, eu fico feliz, me sinto bem quando emagreço, mas controlo a minha frustração quando engordo. Não posso deixar de ser feliz por isso, até porque eu vou emagrecer/engordar outras tantas vezes. Essa é a vida. Não vou, não quero me privar de uma sobremesa, de um belo jantar e uma taça de vinho. A ginástica hoje pra mim, serve como fator de saúde e manutenção, nada de almejar virar a mais nova blogueira fitness do pedaço. Continuo dormindo até mais tarde nos sábados, domingos e feriados, frequentando apenas durante a semana a academia. Alguns dias eu dou cano mesmo, ainda mais quando meus filhos entram de férias, parece que eu vou no embalo deles.

Agora, não me peça pra jogar, isso mesmo, eu não jogo nada, continuo detestando esportes em geral, meu negócio é aula de corrida (dentro da academia e com ar-condicionado)/musculação (com personal e reclamando a cada minuto) e, olhe lá, que tá bom demais. Nada de tristeza, meu corpo agradece e não reclama das gordurinhas extras, ou melhor minha autoestima, porque é essa que eu preciso exercitar frequentemente, sempre. Mente sã e corpo são, como diria o filósofo romano Juvenal.

Notícias do #ProjetoSemNome

Lá se foi 1 mês, desde que eu iniciei o meu projeto, conhecido pela alcunha de #ProjetoSemNome. Para quem não entendeu o motivo deste nome (sem nome), eu explico – estava eu cansada de nomear tudo o que é publicado por mim na rede, cansada de criar títulos para os vários posts do blog e ainda, precisar no mínimo ser criativa, foi quando eu decidi pela ausência de nome. Simples assim.

Pois bem, minha decisão em criar hábitos mais saudáveis, não foi somente por estética, óbvio que esta parte é importante pra mim, gosto de vestir uma roupa e me sentir bem ou pelo menos não me sentir apertada, incomodada por aquelas gordurinhas que ficam esmagadas e saltando pela lateral da calça.

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Nunca fui noiada por essa fixação/onda fitness de muitas por aí, talvez por isso convivo muito bem com “aquelas gordurinhas”. Nunca vou deixar de comer um prato delicioso (uma acarajé), em uma viagem ou largar uma taça de vinho branco, só porque preciso contar calorias (honestamente, elas que se f*#$%).

Porém, como já sai dos 30 e entrei nos 40, preciso de alguns ajustes, tipo um pouco de óleo aqui, uma calibragem ali. Estou com colesterol e sua turma – HDL, Triglicerídeos, etc – todos bem altos e mais alguns outros probleminhas, como uma porcentagem de gordura nas alturas.

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Parece mentira, né?! uma pessoa magra com esses índices altos…porém, são todos verdadeiros.

Tava na hora de tomar uma providência. Enrolei o máximo que eu podia, mas tive que procurar uma nutricionista, eu sabia que por um tempo deixaria meu hambúrguer com batatas fritas, meu chocolate de todo dia e mais um monte de outras guloseimas para trás.

Por indicação de uma amiga, conheci a minha nutricionista da vida, sabe aquela pessoa que fica uma hora conversando com você, descobrindo todos os seus pontos fracos e incentivando na medida certa a mudança de novos hábitos?! essa é a Jessica.

Fui logo dizendo “Não me empurre suco verde, porque senão eu fujo”, pensa em uma pessoa que odeia suco verde, agora duplica, essa sou eu. Acho que bebi tanto essa meleca pela manhã, que hoje em dia eu não suporto nem sentir o cheiro, quem dirá ver a cara do dito cujo.

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Gostei muito do combo que ela criou especialmente pra mim, mexeu MUITO na minha alimentação, mas não esqueceu da parte esportiva. Precisei ajustar um pouco os dias da minha corrida e do treino de musculação. Coisa simples, nada radical.

Passei a comer de 3 em 3 horas. Não vou dizer que foi fácil, até porque ainda dou umas escorregadas, mas passei a levar uns lanchinhos na minha bolsa, caso eu esteja na rua ou sem opção de comida healthy. Faço um esforço danado, pra me lembrar de beber os dois litros de água diários e comecei a largar o chocolate de cada dia. Juro, milagres acontecem.

Quando saio para comer em qualquer restaurante, minhas escolhas estão mais conscientes e menos junk. Claro, todo esse processo é muita vontade de querer mudar, decidi que agora é a hora e, vou me esforçar para alcançar os resultados que me fazem feliz e que eu estabeleci como importantes. Não preciso ter barriga negativa, mas quero ter um corpo em ordem e saudável.

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Por isso, vamos aos resultados: menos 2 quilos e meio na balança, menos 2 cm de circunferência abdominal e menos 2.5% de percentual de gordura. Nada mal, para o primeiro mês de #ProjetoSemNome.

Quero continuar esse processo, sei que vai levar tempo ou pelo menos mais tempo do que, aquelas dietas malucas que  um dia eu já testei na vida e nunca funcionaram. Estou esperando mais 2 meses para repetir os exames de sangue e ver se os índices baixaram. Enquanto isso, sigo firme e forte (e, passando um pouco de vontade) afinal, dieta não é MARA.

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Gifs: Reprodução