Quando fizeram essa pergunta no programa CQC, desta semana, um filme passou pela minha cabeça e foi parar, mais ou menos a uns 13 anos atrás, não exatamente 15 anos.

Eu estava me mudando de mala e cuia para Nova York, com meu marido e os meus dois filhos pequeno – sim, eles eram pequenos (suspiro de saudades). Além, do meu cachorro, um simpático buldogue inglês, chamado Romeu (outro suspiro de saudades).

Me lembro exatamente do dia que embarcamos, também como eu poderia me esquecer, naquele 01 de Julho de 2002, o Brasil se tornava pentacampeão no futebol.
A grande maioria das pessoas, dentro do avião, vestiam camisa da seleção brasileira ou qualquer blusa verde-amarela, imaginem a minha emoção, mudando de país, justamente no dia em que o meu país se tornava campeão mundial. Foi uma despedida, com uma carga enorme de patriotismo.

Viva Brasil!!

Viva Brasil!!

Enfim, aterrissamos no aeroporto JFK com uma “pequena bagagem”, já podem imaginar, né?? era mala que não acabava mais. Em um primeiro momento fomos morar em um flat (onde ficamos por um mês).

Esse primeiro mês, pra mim foi super divertidíssimo, afinal eu estava morando apenas a uma quadra do Central Park e no coração de Manhattan. Andava a pé, empurrando o carrinho das crianças  para todos os lados – o Pedro já maiorzinho, ficava na cestinha embaixo do carrinho, enquanto a Cora andava no andar de cima, uma pequena adaptação, afinal andávamos muito todo dia pela ilha, em pleno verão.

Tudo ía muito bem, até que finalmente a casa que alugamos no subúrbio ficou pronta. Ela era uma graça, uma típica casa americana, sem grades, toda de madeira, com um enorme jardim, basement para as crianças brincarem no inverno, cozinha abertona para a sala, deck de madeira para o barbecue, enfim com este cenário todo, só faltava a housewife perfeita, do filme Mulheres Perfeitas (The Stepford Wives), né?!

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Casinha em RYE/NY!!

Pois é, mas o meu negócio nunca foi ser housewife, e, muito menos perfeita. Meus problemas começaram…

Comecei a sentir um enorme vazio, uma saudades de tudo e de todos no Brasil. Achava aquela minha nova cidade -Rye- linda, repleta de natureza, mas terrivelmente tediosa, principalmente se você levar em consideração que tinhamos acabado de nos mudar nas férias de verão, ou seja o povo todo tinha evaporado. Ninguém andava pelas ruas, isso me dava um enorme desespero, precisava desesperadamente ver gente.

Eita, comecinho duro. Finalmente, as aulas das crianças começaram e com isso, minha pacata vida social, também se iniciou. Aproveitei a minha falta do que fazer e fui ser voluntária na escola, junto com outra brasileira, recém moradora da mesma cidade. Participamos de uma festa para arrecadar $ para a escola, aliás se arrecada $ para tudo por lá. Introduzimos a barraca da pescaria, novidade para os americanos. Nossa barraca foi a mais visitada e com isso, a que mais arrecadou $. De cara, já fiquei “famosa” na região e por consequência, convidada para a festinha de agradecimento.

Assim, comecei a ampliar minhas amizades. Claro, algumas americanas, eram muito americanas pro meu gosto, mas eu precisei entender o jeito delas, completamente diferente do das brasileiras, principalmente no quesito intimidade. Tudo é muito formal, a começar pelo cumprimento feito pelas mãos, nada de beijinho no rosto.

Minhas novas amigas ( todas americanas)!!

Minhas novas amigas ( todas americanas)!!

Sobre a vida doméstica, aprendi a cuidar da minha casa – sozinha – nada de intermediárias. Confesso, que não amava, que tinha dias onde a minha vontade era zero, até de esticar o lençol da cama, mas o pior mesmo ficava por conta da comida, odiava e ainda odeio cozinhar, mas com 2 filhos pequenos não dava pra se fazer de besta, tive que encarar.

Tá certo, que até hoje tiram sarro das minhas tentativas de preparar um simples arroz com feijão, mas quando nada dava jeito na cozinha, eu recorria aquelas bandejas de “fast food” prontas, cheia de gordura trans, que toda criança ama de paixão e toda mãe sabe que não presta, mas mesmo assim acaba dando na hora do desespero.

Diante, de tantas tarefas domésticas: levar as crianças na escola, cuidar de casa, passear com o cachorro, levar o lixo pra fora de casa, cozinhar, varrer, ir ao supermercado, etc. Chegou, a minha vez de fazer alguma coisa que me desse prazer, foi então quando eu me matriculei na curso de Image Consulting da FIT. A primeira aula foi um desafio enorme, logo de cara, fui felicitada com uma prova, e, eu ainda não estava nada acostumada com toda aquela terminologia de moda. Precisei estudar bastante.

Mas, consegui após os dois anos de curso, me formar, mesmo com a vida de dona de casa. Ao todo, ficamos morando 3 anos nos Estados Unidos, quando lembro das dificuldades que enfrentamos, das saudades que dava toda vez que eu voltava de férias do Brasil, do inverno/frio que nunca acabava, do jeito menos intimista dos americanos de tratarem as pessoas, das confusões com a língua inglesa (que me fizeram ter aula particular no começo dessa temporada), enfim, olhando pra trás…agradeço a cada dia por ter passado pela experiência única, que é morar fora do seu próprio país.

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Eu (2002)!

E quem sabe, daqui a 15 anos eu me faça essa mesma pergunta e tenha a felicidade de ter sido tão feliz, como eu fui há 13/15 anos atrás. E, você?? o que estava fazendo há 15 anos atrás?!!

Fotos: DQZ

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