Em casa de ferreiro, espeto é de pau

Dia desses em Nova Iorque, fui jantar com um casal de amigos, ela brasileira, ele americano. Conversa vai, conversa vem, soltei um dos vários ditados populares que eu sou mestra em falar “Em casa de ferreiro, espeto é de pau”, Raul na hora perguntou (I know… o nome dele não se parece americano, mas o cara é gringo legítimo), “O que você falou?!”. Dei risada, eu e a Didi nos olhamos (sua mulher) e tentamos explicar o significado daquilo. Não sei se conseguimos (acho que não), ele entende e fala português (com sotaque) muito bem, mas não sabe obviamente, todas as particularidades da nossa língua portuguesa, como os –  ditados populares – por exemplo.

Por isso, resolvi ser mais didática e dedico este post inteirinho à ele. Olha Raul, o paranauê (1) é o seguinte. Eu anos atrás, me formei em Consultoria de Imagem (aí na sua terra) em Nova Iorque, fiz a famosa e prestigiada FIT/ Fashion Institute os Technology, conhecida pela qualidade de seus cursos. Muito bem, durante todo o processo para me tornar uma profissional, uma das aulas era bem específica, falava sobre “Smart Wardrobe” ou “Capsule Wardrobe”, como a própria palavra de origem inglesa já mostra, se trata de um “guarda-roupas/capsula esperto(a) ou inteligente”.

Na Consultoria de Imagem parte da grade curricular de matérias, justamente é esse “wardrobe“, ou seja, cria-se vários looks com apenas algumas peças de roupas, o objeto é coordená-las entre si, criando uma variedade de opções de looks (com poucas peças de roupas)Mas, pra que falar disso com o Raul, se ele é arquiteto?! justamente, pra ensinar que eu como consultora deveria no meu lado privado, NÃO exagerar no tamanho da mala toda vez que eu viajo. E olha que, pra quem acompanha meu blog sabe muito bem que isso acontece com uma certa frequência. Então, porque raios eu ainda não consigo ser prática?! porque, eu SEMPRE viajo com excesso de roupas?! porque, eu sempre me arrependo em levar roupas que serão pouco usadas ou simplesmente nada?! porque, eu sei que vou passar um baita perrengue (2) na hora de fazer meu check in (por conta do peso) no aeroporto?!

Toda essa ladainha (3) é pra dizer que, criar várias combinações de roupas pra os outros (clientes) é fácil, mas para mim, não. Não adianta, eu não consigo ser “inteligente” na hora de fazer minha mala de viagem, o excesso de roupas durante ela, sempre me deixa muito irritada. O pior é quando eu acabo comprando roupa durante, afinal “pergunta se macaco quer banana?!”(4). Sempre, né?! aí o tamanho da mala só aumenta e a inutilidade de algumas roupas também.

Colocar em prática (no privado) tudo o que eu aprendi é complicado, sempre fico com a sensação de precisar de mais roupa na mala, confesso ultimamente eu até dei uma pequena melhorada (juro). Depois que eu faço a minha mala, costumo voltar umas 15 vezes pra rever minhas escolhas, nisso eu me esforço pra tirar algumas peças de roupa ou sapatos. Nessa última viagem usei uma boa tática, eu mandava fotos das peças de roupas para as minhas amigas, elas em coro repetiam a mesma frase “Tem muita coisa aí, você não vai usar tudo isso”. Pingo, eu tirava mais um pouco. Fazer essa, “consultoria amiga online”, me livrou de alguns quilinhos a mais.

Estão vendo, a importância de uma Consultora de Imagem?! até EU, preciso de uma consultoria às vezes.

Agora, pra não perder a oportunidade didática, vamos à pratica: criar um mala “inteligente” de viagem, se parece com uma receita de bolo. O detalhe mais importante é não colocar muito fermento, caso contrário o bolo cresce demais.

Isso é pura matemática: muito fermento = bolo (mala) grande = arrasa com toda a praticidade da viagem.

Mala de Viagem 

Selecione um número X de peças de roupas. Para isso, leve em consideração o lugar, o clima, os dias que você estará viajando, além do limite de peso que pode embarcar com você. Se a viagem for durante o inverno (pra mim) eu acho mais fácil, um casaco de cor neutra acaba encaixando com todo o resto. Já durante o verão, a gente quer variar um pouco mais, mas a regra é clara, poucas peças e várias combinações.

Na foto acima, podemos ver esse exemplo. O quadro mostra muito claramente que no caso do blaser amarelo, ele foi usado em 4 combinações diferentes, ou seja a variação é enorme. O mesmo acontece com blusa vermelha, a calça e a saia. Simples assim. A seguir mais sugestões de escolhas e combinações de looks.

Bom, para encerrar este post eu digo ao Raul que, no meu caso “não adianta chorar o leite derramado”, se não foi dessa vez que eu consegui montar uma mala inteligente, não tem problema, afinal “águas passadas não movem moinho”. E, é sempre bom lembrar “a esperança é a última que morre”. Quem sabe na minha próxima viagem, eu não precise abrir as malas dentro do aeroporto, na frente de todos os passageiros, só pra dividir os quilinhos das minhas roupas entre elas…Hum, me veio na cabeça outro ditado popular “Pau que nasce torto nunca se endireita”, será Raul!!!!

 

************************************************************************************************************

(1) Paranauê é relativo a capoeira
Adjetivo para pessoa que domina bem a arte da capoeira
Adjetivo também usado em coisas que não tem a ver com capoeira

“E dos paranauê você manja?”

(2) Perrengue refere-se a uma situação de dificuldade, aperto, sufoco.

“Passei o maior perrengue nessa viagem!”

(3)  Ladainha é uma série de breves invocações, algumas com nítido carácter místico e poético, dirigidas a Deus, à Virgem e aos santos, usadas no culto católico
Figurado enumeração enfadonha; lengalenga

“Ouviu dos pais a mesma ladainha”

(4) É inútil perguntar se macaco quer banana, porque obviamente macaco sempre quer banana

Carta aberta à Adriana

Eu começo essa carta contando pra você o impacto que foi descobrir sobre a sua doença. Lá estava eu na minha cidade preferida no mundo (você sabe bem qual), quando ao passar os olhos pelo meu feed do Instagram, me deparo com sua foto, reparo no símbolo preso na sua camisa branca, imediatamente ele me chama à atenção – o símbolo do câncer de mama. Paro na foto, rapidamente foco na legenda. Começo a ler, ao mesmo tempo começo a sentir um frio na espinha, nele você nos conta “Eu estou com câncer de mama”.

Naquele momento eu nem sabia direito o que pensar, minha reação foi automática, comecei ali mesmo no restaurante a escrever uma mensagem, nela escrevo sobre a minha torcida e vibração pela sua pronta recuperação. Eu confesso, sempre li e ouvi falar de alguém que conhece alguém que um dia passou pelo câncer de mama, mas nunca alguém tão próximo como você. Fiquei muito tocada.

Eu sei, andávamos distantes é bem verdade, talvez tenhamos nos perdido um pouco, tanto faz, como você mesma me disse isso foi apenas fisicamente, porque sempre estivemos ligadas em pensamento e coração. Mas, então porque eu escrevo essa Carta Aberta à Você, afinal toda carta aberta tem a finalidade de explicitação do remetente. Na verdade eu escrevo pra falar de alegria e amizade, pra lembrarmos juntas o quanto já nos divertimos nessa vida, afinal as doenças do corpo se combatem com muita alegria. Família e amigos são sempre uma fonte imensa de acalento nesses momentos, onde a vida nos faz parar e recomeçar.

Não sei se você se lembra, nós nos conhecemos em um evento que eu havia organizado, era um encontro com uma atriz e com blogueiras de beleza, um bate papo informal naquele NailBar cercado de esmaltes e bebidinhas. Na verdade, eu já conhecia a sua irmã Fernanda, foi ela quem te levou no nosso    evento. Chegando, nós fomos apresentadas uma para a outra, e, a partir daquele dia, nós nos tornamos amigas e passamos a nos falar mais e mais, até começarmos a criar nossos projetos juntas.

Eu sempre me diverti com você e você comigo, ríamos muito durante aqueles eventos de beleza que frequentávamos, lembra?! Sentávamos obrigatoriamente sempre uma do lado da outra, o tempo que passávamos juntas nunca era suficiente pra encerrar o assunto, sempre faltava tempo para terminar uma fofoca ou um outro assunto pendente. Às vezes, chegávamos ao ponto de ficar depois de terminado o evento, conversando no carro ou na porta do lugar horas a fio até, decidirmos ir embora.

Quando começamos a gravar na minha casa, o finado “Oh My Gloss”, mais falávamos do que gravávamos. Primeiro, nós 3 demorávamos horas até entramos num acordo durante as gravações, sempre rolava uns ataques de riso, umas discussões e no final das contas nunca conseguíamos cumprir nossa tabela de vídeos mensais. Éramos um horror, vamos combinar?! um trio complicadíssimo, cheio de mulheres mandonas, mas certamente muito, muito divertido. Os bastidores que o digam (e o nosso Denny também).

E quando, você e a Fernanda brigavam?! Eu era um espécie de mediadora dessa dupla, ouvia um lado dava um veredicto, ouvia outro lado mudava o veredicto. Vocês me deixavam enlouquecidas, mas eu sabia que no fundo era tudo “coisas de irmãs que se amam”. Afinal, quem tem irmã (e, eu tenho) sabe muito bem do que se trata essa complicada e genuína relação, tudo no final acaba em pizza. Vocês nunca se largaram no final das contas.

Uma vez, tínhamos agendado de gravar em um salão de beleza, lebram?! antes, eu preciso dizer que sempre fui muito pontual (até demais), mas quando eu marcava com as irmãs Waibel & Félix, eu utilizava uma tática secreta – ok, nem sempre dava certo – aliás, nunca deu certo (mas, eu tentava). Eu já dava um desconto pelo possível atraso de no mínimo uns 30 minutos. Nesse dia, devo dizer que vocês se superaram, conseguiram atrasar muito mais do que os 30 minutos habituais. Conclusão: eu tentei corrigir o atraso dirigindo como uma alucinada até o salão, pra tentar diminuir ele. Durante todo nosso trajeto, você resolveu filmar aquela cena de filme de ação estrelado por Tom Cruise – Missão Impossível – nós ríamos, eu dirigia, nós atuávamos juntas, eu dava umas broncas pelo atraso, enquanto isso você lá fazendo Snapchat e gravando um Vlog. Ah claro, você também aproveitava para dar mais uma geral na maquiagem, sim, sua maquiagem precisava estar impecável, sua marca registrada.

Por conta dessa paixão por maquiagem, eu, carinhosamente te apelidei de Coelha. Adivinhem o porquê?!! quem conhece blogs de beleza certamente conhece a Camila Coelho, uma das blogueiras sinônimo de maquiagem. Pois bem, pra mim a Adriana era a segunda na linha sucessória nesse quesito. É verdade, também tínhamos outros apelidos internos, mas estes são muito íntimos para serem falados por aqui. Acho que eu apanho de você, melhor não, né?!

Voltando ao atraso em si, até hoje eu não sei de quem foi a culpa por ele, tenho as minhas desconfianças, provavelmente nunca saberei quem foi a verdadeira “Atrasada Jundiaiense”, entre essas irmãs blogueiras. Dri ou Fê?! por falar nisso, só para constar, a prévia daquela gravação ficou hilária.

Enfim, tivemos esses e outros tantos momentos juntas, foram muitas conversas pelo WhatsApp, muito eventos de beleza, muita troca e muita cumplicidade. Hoje, você certamente passa por uma fase – eu não vou falar a mais difícil, ok?! – mas sim, uma fase particular, uma fase de maior recolhimento, introspecção, espiritualidade e principalmente auto conhecimento. Novas possibilidades surgirão, reforce sempre a sua esperança e a sua fé em você mesma. Você sempre foi uma pessoa linda por fora, agora vai ficar mais linda por dentro.

Dri, conte comigo, lembre-se daquele dia tão especial, divertido e cheio de muita alegria, risadas, que passamos juntas, que essas fotos possam cobrir você de muito amor e carinho. Como disse a Fê “Sua luta é a nossa também”. Continue vibrando positivamente!! (Ps: minha promessa continua de pé…)

Um beijo carinhoso, LuMich

15 de Agosto de 2017

 

A rua – Nova Iorque

Eu sempre gostei da rua. Quando eu era criança, tive a felicidade de morar numa vila cheia de outras tantas crianças. Minhas brincadeiras eram na sua grande maioria a céu aberto. Quando a gente ficava no ócio, sem ter nada pra brincar, continuávamos na rua, sentados nas portas das casas, nas calçadas, jogando conversa fora, brigando, tirando sarro da cara um do outro, enfim era a rua o meu parquinho, a minha área de lazer.

Quando adolescente continuei na rua, mas agora eu tinha a turma do prédio e os meus amigos moravam todos pelo bairro. Vivíamos de rua em rua, cada hora íamos pra um canto das ruas planas de Moema em São Paulo, mas nosso “point” mesmo ficava na Rua Iraí, consequentemente nossa turma também recebeu o mesmo nome dela “Irai’s Gang”.

Casei, e, em pouco tempo fui morar numa casa. A casa ficava em frente a um parque com árvores enormes e muito verde. Esse virou o quintal dos meus filhos quando pequenos. Até hoje, quando estou entediada & irritada, Ying & Yang – não importa o meu humor – sempre saio pra andar na rua ou pelo parque com as minhas cachorras: Marie & Lolla.

Então, acho que até esse momento, eu consegui passar um pouquinho da minha relação com a rua, não é?! sinto não poder andar livremente por São Paulo como antes eu fazia, na minha adolescência, nunca senti o medo que eu sinto hoje, não me atrevo a levar as cachorras pra andar tarde da noite, pelas ruas do meu bairro. Impossível, me imaginar andando pelas ruas de uma cidade como São Paulo, sem a preocupação de ser abordada.

E, é aí que, eu começo a explicar o meu fascínio por Nova Iorque. Às vezes as pessoas não entendem o porquê de todo ano eu vir pra cá, Elas perguntam “Você não se cansa de ir pra Nova Iorque?!l Não. Aliás, eu não conto Nova Iorque como uma viagem de turismo, e sim, como uma viagem de reciclagem. Reciclagem das minhas ideias, da minha criatividade, da minha cultura, da minha capacidade de lidar comigo (posso chamar isso de “boa solidão”), da minha capacidade de ter jogo de cintura, da minha liberdade de ir e vir, da libertação das amarras dogmáticas do nosso cotidiano, de não me criticar com rigidez, de ter coragem para ousar. Enfim, são muitos os motivos que me trazem todos os anos até aqui.

Mas se eu tivesse que escolher apenas um bom motivo, seria ela – A RUA – ela, a minha amada rua que sempre me recebeu de braços abertos durante a minha infância, adolescência e hoje, me recebe como mulher. Que permite ser a minha própria válvula de escape, pela qual eu posso desbravar diariamente novos lugares, deixando de lado todo aquele medo da violência em que me acostumei a viver e pela qual, se tornou uma triste instrução normativa.

Dessa vez, minha estadia por Nova Iorque será muito mais longa do que de costume. E, eu não poderia ficar em outro bairro, se não o meu querido Soho – ele sempre me lembra das minha várias ruas – Além, do fato de ter sido uma garota de vila, eu adoro essa coisa meio bairrista onde as pessoas se cruzam o tempo todo, que só existe por aqui nessas ruas de paralelepípedo, com todas elas juntas e misturadas, cada uma na sua.

Meu amor por NY vai muito além do consumo – obviamente, não serei hipócrita, esse lado é altamente atrativo, e, aqui é o melhor lugar no mundo para fazer shopping – mas acima disso, a liberdade que eu desfruto é maior do que qualquer item para o meu consumo. A minha liberdade não tem preço, quando se trata de andar sozinha, com ou sem meu relógio, com as minhas jóias, com o meu shorts curto, com a minha Havaianas ou a liberdade de sentar sozinha pra almoçar (sem que isso seja estranho), a normalidade de sentar para escrever no café por horas a fio (sem que isso seja absurdo), simplesmente a rua daqui é democrática. Ela abriga todos, todas, do jeitinho que cada um é ou da maneira como cada um deseja ser.

Nessa minha temporada novaiorquina, eu tive 3 fases até agora: a primeira foi uma festa. Éramos em quatro amigas, eu por questões de conhecer muito bem a cidade, naturalmente me tornei a “Tia Augusta” do grupo, nos apelidamos de Divas em Nova Iorque (uma espécie nacional de SATC). Andamos muito de um lado para o outro da cidade. Já na segunda fase, de quatro, virei uma dupla. Eu e a minha amiga Simone, nos concentramos mais por desbravar cada cantinho charmoso do SOHO.

Na terceira fase, fiquei sozinha ou melhor com a minha filha (mas ela está aqui pra estudar, seu curso começa às 9:00 da manhã e só terminava às 4:00 da tarde). Por isso, digo que estou sozinha, pelo menos durante a grande parte do meu dia. Foi nesse momento de “boa solidão” que eu inventei uma meta diária para mim. Andar no mínimo 8KM pela cidade, sem um roteiro escrito, totalmente sem lenço e sem documento.

Eu nunca tinha feito isso por aqui. Sempre acordava sabendo minimamente o que fazer durante o meu dia. Dessa vez eu não queria roteiro. Passei a caminhar pela cidade sem destino, quando chegava em algum lugar mais interessante, parava tirava uma foto, uma selfie, tomava um café, entrava numa loja nova, conhecia uma esquina famosa, mas nada disso estava agendado. Durante a caminhada, eu decidia por quais ruas eu passaria. Olha, que experiência bacana, tive mais um novo olhar por essa cidade que me encanta tanto. Sei que aqui tem muita coisa errada, posso dizer logo de saída que as estações do metrô são nojentas, que as ruas são sujas, que muitas vezes as vendedoras são muito grossas, mas não posso dizer que eu me sinto amedrontada pegando esse mesmo metrô nojento ou me sinto intimidada por uma cara feia.

Dos males das grandes cidades grandes, certamente estes não são tão importantes assim. Eu já viajei por diferentes países do mundo, também senti essa mesma liberdade em vários outros deles, como em Tokyo no Japão – nunca vi um país tão limpo e educado na minha vida toda – Bucareste na Romênia – fiquei impressionada com a alta qualidade da gastronômica e como era tranquilo andar pelas ruas, ainda mais se tratando de um país com problema econômicos e sociais – Ah, não pode faltar na minha lista Barcelona (por razões óbvias), como o fato da minha irmã morar por lá – andar de madrugada é tão gostoso como por aqui, nada de entrar em carros blindados, aliás duvido que exista blindagem naquele país.

Nova Iorque me dá um sopro da minha tão preciosa liberdade, aquela em que eu me acostumei a não ter mais. Aquela que me faz prisioneira de um estado fracassado, onde eu moro e onde o indivíduo não se sente protegido. Nova Iorque me dá o que eu não tenho. Aqui eu sou livre, ando pelas ruas do jeito que me der na telha. Arrumada, maloqueira ou como diz a minha amiga Dedis “Você é uma moleca chic”. Não troco o que esta cidade me dá, por nenhum novo destino, são eles que precisam se encaixar na minha Nova Iorque querida de todo ano. E, como eu ainda não coloquei as pernocas pra andar hoje, vou me arrumar, comer um bagel com salmão do Sadelle’s , (porque eu acordei sonhando com ele) e depois vou bater a meta do dia…ainda sem rumo e sem destino previamente estabelecido. Vou aonde eu quiser, a rua é quem vai me levar.